O mundo globalizado e o Brasil em crise econômica e política tornam as relações de trabalho mais delicadas. As empresas e indústrias, por um lado, vivem um momento de competitividade e arrocho que as torna vorazes por metas e resultados e os trabalhadores estão sempre com medo do desemprego, tamanha é a insegurança que a instabilidade causa.

O ambiente de trabalho, não é de hoje, vem se tornando cada vez mais competitivo, e a cobrança pelo sucesso é crescente. A busca por  altos cargos, salários e status só piora a situação do trabalhador que está sujeito a toda sorte de exigências e responsabilidades, o que pode se agravar quando a função exige relações interpessoais intensas e diretas como nas profissões de professor, enfermeiro, médico, policial, assistente social, entre outros, ou quando o trabalho é realizado por turnos (cada dia ou semana em um horário) ou no período noturno.

A síndrome de Burnout (síndrome do esgotamento profissional) está diretamente relacionada ao trabalho e como esse trabalho é organizado e realizado. Chefes autoritários, metas inalcançáveis, regras em constante mudança, ausência de reconhecimento, jornadas extensas, exigências qualitativas e quantitativas além do conhecimento e capacidade do trabalhador, acúmulo de funções e gerenciamento pelo medo são alguns dos exemplos de organização do trabalho que podem adoecer.

Os sintomas do Burnout, no início, costumam ser confundidos com os da depressão, mas ao se agravarem vão se tornando claramente diferentes. Entre eles estão a sensação de esgotamento físico e emocional, insônia, perda de apetite, enxaqueca, irritabilidade, agressividade, isolamento, baixa autoestima, lapsos de memória, dificuldade de concentração, ansiedade, depressão, pessimismo, ausência ou diminuição de empatia, náuseas, fraqueza, queda de cabelo, aumento da suscetibilidade para doenças, dor lombar ou cervical etc.

As empresas e indústrias podem diminuir a incidência de Burnout entre seus funcionários mantendo um ambiente de trabalho sadio, cujas metas e competitividade estejam dentro da normalidade, e o método de gerenciamento não seja pelo medo e pressão.

Quanto aos trabalhadores, caso estejam sofrendo pelo Burnout ou qualquer outra doença causada pelo trabalho, saibam que a empresa deve ser responsabilizada pelos danos morais e materiais causados a você, e só um advogado especializado poderá lhe ajudar.

Se você sentiu que esse artigo falou um pouco de você ou de alguém que você conhece, então procure já conhecer seus direitos!

Priscila Arraes Reino – Sócia no Arraes & Centeno Advogados Associados