Atualizado em 23 out, 2025 -

Doenças causadas por carregar peso em excesso: saiba seus direitos trabalhistas

Armazém de depósito

Infelizmente as doenças causadas por carregar peso em excesso fazem parte da rotina de muitos profissionais em atividades que exigem grande esforço físico, como mover caixas, materiais de construção ou produtos pesados. O que nem todos sabem é que o esforço contínuo ou repetitivo pode causar sérios problemas de saúde e até afastamento do trabalho.

Essas doenças surgem em vários ambientes, mas são mais comuns em atividades com esforço constante, como na indústria, construção civil, comércio e saúde.

Por isso, é essencial conhecer os direitos de quem enfrenta esse tipo de problema e saber o que diz a legislação para garantir uma proteção segura.

Sumário

Quais são as principais doenças ocupacionais causadas por carregar peso em excesso?

As doenças provocadas por carregar peso em excesso atingem diversas profissões, não apenas as que envolvem levantamento de cargas pesadas.

Atividades que exigem levantar, empurrar ou carregar peso acima do limite seguro, além de movimentos repetitivos, também causam sérios problemas de saúde. Com o tempo, essas tarefas podem gerar lesões graves e doenças crônicas que comprometem o desempenho do trabalhador.

O excesso de peso no trabalho é uma das principais causas de doenças ocupacionais, que podem afetar músculos, articulações e nervos. 

Entre as mais comuns estão:

  • Hérnia de disco, provocada pela compressão dos discos vertebrais;
  • Lombalgia, dor persistente na região lombar causada por esforço contínuo;
  • Lesões musculares e articulares, resultado da sobrecarga;
  • Distensões e contraturas, causadas por esforço inadequado;
  • Bursite e tendinite, decorrentes de movimentos repetitivos;
  • e as LER/DORT, que atingem músculos, nervos e tendões por sobrecarga física constante.

As doenças dos membros superiores são frequentes em quem movimenta peso com os braços. Tendinites, tenossinovites, bursites e outras LER/DORT estão entre as mais comuns, além da síndrome do manguito rotador, epicondilite lateral e túnel do carpo, que causam dor e limitação dos movimentos.

Nos membros inferiores, o excesso de esforço com carregamento de peso pode gerar artrose em joelhos e quadris, rupturas de ligamentos e meniscos em atividades com escadas ou pisos irregulares, além de varizes e problemas circulatórios em quem permanece muito tempo em pé.

Essas condições, quando não tratadas adequadamente, podem levar ao afastamento do trabalho e, em casos mais graves, à aposentadoria por incapacidade permanente acidentária (B92) ou indenização trabalhista.

Quais são os direitos trabalhistas do trabalhador que carrega peso em excesso? 

Trabalhador acidentado em armazém de depósito

Você sabia que existe uma norma que protege o trabalhador contra os riscos de carregar peso em excesso?

A NR-17, sobre ergonomia, obriga o empregador a adotar medidas para evitar o levantamento de cargas que comprometam a saúde ou a segurança do funcionário. Em harmonia com a CLT, essa norma visa preservar a integridade física e mental de quem realiza esforço físico constante.

Entre os principais direitos estão: limite de peso máximo adequado ao gênero e às condições físicas; pausas regulares para evitar fadiga; treinamento obrigatório em ergonomia; adaptação do posto de trabalho; uso de equipamentos de apoio (como cintos e suportes); fiscalização das condições e exames médicos periódicos.

A CLT fixa limites de carga: até 60 kg para homens e 25 kg para mulheres. Essas regras buscam prevenir lesões e garantir um ambiente de trabalho mais seguro e saudável para todos.

Entre os principais direitos e garantias de quem executa esse tipo de atividade estão:

  • Limite de peso máximo permitido, conforme o gênero e as condições físicas;
  • Pausas regulares durante a jornada, para evitar fadiga e reduzir lesões;
  • Treinamento em ergonomia e técnicas de levantamento, obrigatório para prevenir acidentes;
  • Adaptação do posto de trabalho, com altura adequada e ferramentas de apoio; disponibilização de equipamentos auxiliares, como cintos ergonômicos, luvas e suportes de carga;
  • Fiscalização das condições de trabalho e exames médicos periódicos, para monitorar a saúde e detectar lesões precocemente.

Mesmo com as normas de segurança e as garantias legais, muitos trabalhadores ainda sofrem acidentes ou desenvolvem doenças ocupacionais por causa do esforço físico contínuo e do excesso de peso.

Quais os direitos de quem sofre acidente de trabalho ou adquiriu doença ocupacional por carregar peso em excesso?

Nesses casos, a legislação trabalhista e previdenciária assegura direitos específicos para proteger o trabalhador e garantir sua estabilidade financeira durante o afastamento ou a recuperação.

Entre os principais direitos estão:

  • Emissão da CAT – deve ser feita pelo empregador assim que houver suspeita de relação entre a doença e o trabalho;*
  • Auxílio-doença acidentário (B91) – pago pelo INSS ao trabalhador afastado por mais de 15 dias devido a problema causado pela atividade profissional. 
  • Estabilidade de 12 meses – após o retorno, o empregado não pode ser demitido sem justa causa por um ano; 
  • Depósito do FGTS – deve continuar durante o afastamento pelo B91; 
  • Indenização por danos morais e materiais – cabível quando há negligência, falta de treinamento ou de equipamentos de segurança; 
  • Reabilitação profissional – garante adaptação do trabalhador para nova função quando não pode voltar à anterior;
  • Aposentadoria por incapacidade permanente acidentária – concedida quando a doença tem relação com o trabalho e impede definitivamente o retorno.

Esses direitos protegem o trabalhador que adoece ou se machuca por esforço físico ou carregamento de peso excessivo, evitando que fique desamparado.

Como comprovar a relação entre a doença e o trabalho?

Para que o trabalhador tenha acesso aos direitos previstos em lei, é essencial comprovar a relação entre a doença ou acidente e o trabalho, o chamado nexo causal.

Essa comprovação pode ser feita por:

  • Laudos e exames médicos que indiquem a relação entre a lesão e o esforço físico no trabalho;
  • Perícia do INSS, que avalia o histórico do trabalhador e as condições do ambiente de trabalho;
  • Relatos e documentos da empresa, como função exercida, carga horária e descrição das tarefas;
  • Emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), fundamental para reconhecer a natureza ocupacional da doença.

Essas provas são decisivas para garantir benefícios previdenciários ou indenizações por danos causados pelo excesso de peso.

Busque orientação jurídica

Carregar peso diariamente traz riscos sérios à saúde, e conhecer seus direitos é o primeiro passo para se proteger.

Se você ou um familiar sente dores ou limitações por esforço físico, busque orientação jurídica e médica o quanto antes. Entender seus direitos é o melhor caminho para garantir sua saúde e segurança no trabalho.

Foto de Priscila Arraes Reino
Priscila Arraes Reino
Advogada previdenciária e trabalhista especialista em doenças ocupacionais e Síndrome de Burnout. Formada em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (2000). Sócia fundadora do Arraes & Centeno Advogados Associados. Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho e Pós-Graduada em Direito Previdenciário. Palestrante (OAB/MS 8596, OAB/SP 38.2499 e OAB/RJ 251.429).

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