Atualizado em 19 dez, 2023 -

Crise de burnout: sintomas, o que fazer e como se prevenir

Mulher esgotada no trabalho

A Crise de Burnout é um fenômeno global que afeta trabalhadores nos quatro cantos do mundo. Infelizmente, é claro que o Brasil não fica de fora. Estamos em segundo lugar entre os países com maior número de pessoas com Burnout.

No entanto, o tema do Burnout tem recebido atenção crescente, especialmente devido às demandas e desafios enfrentados em diversas profissões. Alguns setores, como a área de saúde, educação, bancos e até mesmo o ambiente corporativo, são particularmente propensos a esse tipo de problema devido à pressão constante, alta carga de trabalho e condições adversas de trabalho.

Os profissionais da saúde, por exemplo, enfrentam desafios significativos, como longas jornadas de trabalho, situações emocionalmente intensas e pressão para atender às demandas. Além de trabalho em turnos, diversos vínculos e o risco constante de adoecimento por contaminação. 

Professores também vivenciam esse estresse devido à carga de trabalho extensa, problemas de infraestrutura nas escolas e desafios no relacionamento com alunos e suas famílias.

O reconhecimento e a conscientização sobre a Burnout estão aumentando no Brasil, e muitas empresas e organizações estão adotando medidas para prevenir e lidar com esse problema. Isso inclui a implementação de políticas de bem-estar, programas de apoio emocional e a promoção de um ambiente de trabalho saudável.

Vem comigo que eu vou te mostrar quais são os sintomas da Burnout, o que fazer ao viver esse estresse e como se prevenir.

Sumário

O que é Síndrome de Burnout? 

A Síndrome de Burnout é um estado de esgotamento físico, mental e emocional resultante do acúmulo prolongado de estresse relacionado ao trabalho. Ele é caracterizado por sentimentos de exaustão, cinismo e ineficácia profissional. Seus efeitos colaterais podem ser tão graves a ponto de gerar uma aposentadoria por incapacidade permanente ou um auxílio-doença.

Ou seja, o termo que vem do inglês, “burnout”, pode ser traduzido livremente como “esgotamento”. 

O trabalhador que desenvolve a síndrome de burnout tem de fato a sensação de esgotamento total de suas energias e capacidades, como se estas tivessem sido queimadas por completo.

A Burnout não é apenas o resultado do estresse comum no trabalho, é uma condição mais grave que surge do estresse crônico e prolongado causado pelos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho. Pode ser considerado um fenômeno psicossocial e ocupacional, também chamado de síndrome do esgotamento profissional, sugerindo o afastamento do trabalhador de suas atividades.

Embora o conceito de Burnout não seja de uma doença propriamente dita, é amplamente reconhecido como um problema de saúde ocupacional. Tanto que, recentemente, o Ministério da Saúde atualizou sua lista de doenças relacionadas ao trabalho e nela incluiu os riscos psicossociais causadores da síndrome de burnout. 

Apesar disso, no Brasil, a Burnout já constava nesta lista desde a Portaria 1339 de 18 de novembro de 1999.

Síndrome de Burnout sintomas

Os sintomas do Burnout podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente envolvem uma combinação de exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização profissional.  

Os principais sintomas do Burnout incluem:

  1. Exaustão emocional:
    • Sentimento de esgotamento emocional;
    • Falta de energia;
    • Sentimento constante de cansaço;
    • Sensação de não poder mais lidar com as demandas do trabalho;
    • Dificuldade em lidar com as demandas emocionais do trabalho.

  1. Despersonalização:
    • Desenvolvimento de atitudes cínicas em relação ao trabalho e aos colegas;
    • Sentimento de distanciamento emocional em relação aos clientes, pacientes ou colegas;
    • Desenvolvimento de uma visão negativa e desumanizada em relação às responsabilidades profissionais;
    • Pode se manifestar como uma perda de empatia.

  1. Diminuição da realização profissional:
    • Sentimento de ineficácia no trabalho;
    • Perda de satisfação e realização profissional;
    • Percepção de que o trabalho não tem significado ou valor.

Sintomas: como a Burnout afeta a saúde do trabalhador

A literatura médica menciona mais de 140 diferentes sintomas da Síndrome de Burnout, e muitos deles são comuns a outras doenças. Por conta disso, o diagnóstico é tão difícil. 

Eles são resultado do esforço que o trabalhador faz para lidar com os problemas no trabalho, que são excessivos e além daquilo que o trabalhador suporta.

Os sintomas mais comuns são:

  • Distúrbios de sono: dificuldade em dormir, insônia, sono inquieto;
  • Problemas de saúde física: dores de cabeça, problemas gastrointestinais, dores musculares, sudorese, palpitação, pressão alta, crises de asma, infecções de repetição, dermatites, herpes, dores musculares, gastrite, úlcera, náuseas, alterações menstruais, disfunções sexuais, entre outros;
  • Problemas de saúde mental: mudanças bruscas de humor, irritabilidade, ansiedade, depressão, baixa autoestima, negatividade constante, insegurança, desconfiança;
  • Dificuldades de concentração: dificuldade em se concentrar nas tarefas do dia a dia; lapsos de memória, confusão de palavras;
  • Isolamento social: retraimento social e evitação de interações sociais.

Devo chamar atenção para os sintomas comportamentais que podem aparecer em razão do sofrimento causado pela Burnout, como o abuso de substâncias lícitas e ilícitas e o abuso de comportamentos de alto risco.

Mulher com enxaqueca no sofá

Diagnóstico de burnout

O diagnóstico do Burnout não é uma tarefa simples. No entanto, profissionais de saúde como psiquiatras, neurologistas, clínicos gerais, psicólogos, entre outros da saúde ocupacional, frequentemente utilizam critérios específicos para avaliar se uma pessoa está experimentando sintomas relacionados à Burnout.

O diagnóstico envolve uma avaliação detalhada dos sintomas e da história clínica do indivíduo. Alguns dos critérios que podem ser considerados no diagnóstico incluem: questionários e escalas de avaliação, entrevistas clínicas e avaliação do ambiente de trabalho.

Ao contrário de algumas condições médicas claramente definidas, a Síndrome de Burnout é um fenômeno complexo e multifacetado. Além disso, outros transtornos mentais, como depressão e ansiedade, podem apresentar sintomas semelhantes. Portanto, um diagnóstico preciso requer uma avaliação completa e cuidadosa por parte de profissionais de saúde qualificados.

Fui diagnosticado com burnout, e agora?

É importante notar que a Burnout não é uma doença, mas uma síndrome ocupacional oficialmente reconhecida. Ela causa incapacidade e pode gerar direito a indenizações e reparações.

Então, antes mesmo do diagnóstico, se você suspeita que está enfrentando burnout, é aconselhável procurar ajuda de um profissional de saúde e uma advogada especialista no assunto para te assessorar e garantir uma indenização.

O tratamento pode envolver a implementação de mudanças no ambiente de trabalho, a busca de apoio psicológico e a adoção de práticas de autocuidado.

Que tal fazer um teste de burnout agora mesmo? Ele vai te ajudar a investigar seus sintomas. Mas ele não substitui a consulta que você deve fazer com o médico.

E para complementar a sua leitura, assista ao vídeo abaixo e entenda como funciona o processo trabalhista e previdenciário de burnout. 

Para falar com uma advogada especialista em burnout, é só clicar aqui

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Priscila Arraes Reino
Advogada previdenciária e trabalhista especialista em doenças ocupacionais e Síndrome de Burnout. Formada em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (2000). Sócia fundadora do Arraes & Centeno Advogados Associados. Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho e Pós-Graduada em Direito Previdenciário. Palestrante (OAB/MS 8596, OAB/SP 38.2499 e OAB/RJ 251.429).
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