Atualizado em 22 nov, 2023 -

Teste de síndrome de burnout: como funciona?

Homem com semblante estressado com as mãos na cabeça.

Você conhece a Síndrome de Burnout e o teste para o diagnóstico dessa doença? Ela tem os seus primeiros sintomas a partir de estresse crônico não administrado corretamente, em razão de ambientes de trabalho nocivos à saúde.

Essa e muitas outras informações eu trouxe neste texto, para que você que está sofrendo com o esgotamento profissional possa entender melhor o que está acontecendo na sua vida e buscar ajuda profissional, médica e jurídica.

Sumário

O que é Síndrome de Burnout?

A Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, é uma doença ocupacional que exige o afastamento do trabalhador do ambiente de trabalho que o adoeceu.

Pela definição da Classificação Internacional de Doenças – CID 11, a Burnout é uma síndrome resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso. 

Pelo Ministério da Saúde brasileiro, os sintomas envolvem nervosismo, sofrimentos psicológicos e problemas físicos (como dor de barriga, cansaço excessivo e tonturas).

Para exemplificar melhor as doenças ocupacionais, existe o Decreto n° 3048/99, que regulamenta a Previdência Social. 

Nele, foram colocados exemplos de situações que podem gerar o adoecimento do trabalhador em decorrência das atividades exercidas.

A Síndrome de Burnout, por exemplo, é colocada no anexo III como:

XII – Sensação de Estar Acabado (“Síndrome de Burn-Out”, “Síndrome do Esgotamento Profissional”) (Z73.0)1. Ritmo de trabalho penoso (Z56.3) 2. Outras dificuldades físicas e mentais relacionadas com o trabalho (Z56.6)

Alguns outros exemplos das situações no ambiente de trabalho que podem gerar o adoecimento são: 

  • jornadas muito extensas e sem direito à desconexão
  • excesso de cobrança e metas
  • ausência de pausas e intervalos
  • falta de autonomia na realização das atividades
  • assédio moral

Sinais de Síndrome de Burnout

A Síndrome de Burnout tem os seus primeiros sintomas a partir de um estresse crônico não administrado corretamente, em razão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, tais como:

  • jornadas muito extensas
  • ausência de desconexão
  • alta competitividade
  • pouco reconhecimento
  • excesso de cobrança 
  • excesso de metas
  • ausência de pausas e intervalos
  • falta de liberdade na realização das atividades
  • assédio moral
  • assédio sexual

Entre outros problemas que vem sendo agravados pelos ambientes cada vez mais hostis, impessoais e competitivos.

O trabalhador diagnosticado com Burnout, na grande maioria das vezes, é aquele que mais se dedica ao trabalho, dando as suas horas de descanso, de lazer e de autocuidado para a empresa e para o trabalho que realiza.

O trabalhador que desenvolve Síndrome de Burnout é aquele profissional muito dedicado à empresa e ao seu trabalho, que se envolve de maneira exagerada ao trabalho que ganha roupagem de missão.

Sintomas da Síndrome de Burnout

Como a Burnout é uma Síndrome, o seu diagnóstico pode demorar a acontecer, em muitos casos, os primeiros afastamentos são em relação a outras doenças, como ansiedade generalizada, depressão, problemas gastrointestinais, dermatites ou enxaquecas.

Entretanto, tais problemas são sintomas de um quadro de esgotamento, e por isso o trabalhador acaba não melhorando quando trata tais sintomas, já que o seu adoecimento é causado pelo ambiente de trabalho.

Alguns dos sintomas mais comuns no trabalhador diagnosticado com Síndrome de Burnout são:

  • dores de cabeça persistente
  • distúrbios do sono
  • tensão muscular
  • alteração de apetite
  • irritabilidade e impaciência
  • sentimentos negativos relacionados a si e ao seu trabalho
  • absenteísmo (falta de pontualidade e assiduidade no cumprimento de um dever ou obrigação)
  • presenteísmo
  • problemas gastrointestinais
  • irritabilidade;
  • cansaço físico e mental;
  • insônia;
  • mudanças bruscas no apetite;
  • isolamento social;
  • dores de cabeça e no corpo;
  • imunidade baixa;
  • sensação de derrota, desespero e/ou insegurança;
  • dificuldade de concentração e/ou baixa produtividade;
  • sentimento de incompetência;
  • Sensação de ansiedade;
  • baixa autoestima;
  • negatividade constante.
  • abuso de drogas e/ou álcool no intuito de aliviar o sofrimento 

No entanto, o sintoma mais perceptível e claro para o trabalhador com burnout, normalmente, é a total impossibilidade de voltar àquele ambiente de trabalho. 

Esse estresse, que não é administrado corretamente, vai se tornando cada vez mais grave e incapacitante, até que o trabalhador é tomado pela fadiga extrema.

O simples pensar no local de trabalho, passar na frente da empresa, receber ligação do empregador ou de colegas do trabalho, provocam sintomas fortíssimos como, por exemplo, a sensação de quase morte da síndrome do pânico, crises de pânico, tremedeiras, dor de cabeça, gastrite, vômitos e/ou diarreias. 

Cada um apresenta reações diferentes, mas o gatilho é o se deparar, ainda que em pensamento ou a distância, com aquele ambiente de trabalho que o adoeceu.

Quem faz o diagnóstico da Síndrome de Burnout?

O diagnóstico da Síndrome de Burnout é feito por um médico e/ou psicólogo, e é importante dizer que não precisa ser médico psiquiatra ou médico do trabalho.

Em regra, a avaliação inicial leva em conta a constatação das três dimensões da Síndrome de Burnout, que são:

  • sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia;
  • aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo, ou cinismo relacionados ao próprio trabalho; e
  • ineficácia profissional

Sendo constatadas essas três dimensões, o trabalhador precisa seguir as recomendações médicas.

Não existe um exame para a constatação da Síndrome de Burnout, mas existem alguns testes para confirmação de diagnóstico e mesmo de autoavaliação.

Estágios da Síndrome de Burnout

Herbert Freudenberger e Gail North foram dois psicólogos que criaram uma lista do que seriam os estágios da Síndrome de Burnout, que podem auxiliar na indicação sobre a necessidade de pedir ajuda e procurar tratamento, são eles:

1. Necessidade de se afirmar ou provar ser sempre capaz, a entrega acaba sendo exagerada no intuito de provar a capacidade;

2. Dedicação intensificada – necessidade de fazer tudo sozinho e imediatamente;

3. Descaso com as necessidades pessoais, tudo que não é trabalho fica em segundo plano, depois do trabalho;

4. O trabalhador percebe que algo não está bem, mas não enfrenta os problemas, e nesse momento os sintomas físicos começam a aparecer;

5. Reinterpretação dos valores – o que antes tinha valor, passa a não ter. A única coisa que importa e que faz o trabalhador se sentir realizado é o trabalho;

6. Negação de problemas e cinismo e agressividade – somente o trabalhador tem valor e é capaz, os demais com menos desempenho são desvalorizados;

7. Recolhimento e isolamento, nesse momento o trabalhador apresenta aversão a qualquer reunião;

8. Mudanças evidentes de comportamento, falta de bom humor e incapacidade de aceitar brincadeiras;

9. Despersonalização – sua percepção sobre si é distorcida;

10. Negativismo e vazio. Muitas vezes nesse momento o trabalhador procura alívio do sofrimento em drogas, álcool ou compulsões como compras, sexo, comida etc

11. Depressão – a vida perdeu sentido e não há nenhuma motivação, só desesperança, indiferença e exaustão;

12. Síndrome do esgotamento profissional ou Burnout. O trabalhador está em colapso físico e mental e necessita de ajuda médica e psicológica de urgência.

Mulher com semblante estressado com as mãos na cabeça.

Teste de Síndrome de Burnout: como é feito? 

Quando se fala em diagnóstico da Síndrome de Burnout a pergunta que mais se ouve é: existe um teste ou um exame médico para se constatar ou não a Síndrome de Burnout?

A realidade é que existem diversos testes, mas nenhum deles pode ser utilizado isoladamente para se obter o diagnóstico. 

Dentre os testes de Burnout, o mais conhecido é o Inventário de Burnout de Maslach – MBI, desenvolvido por Cristina Maslach, uma psicóloga social norte-americana.

O teste de Burnout desenvolvido por Cristina Maslach é um teste psicológico com 22 itens para avaliar as três dimensões de Burnout, sendo 9 itens para medir o esgotamento emocional, 5 itens para avaliar a despersonalização e 8 itens para avaliar a ineficácia profissional. Cada item tem 6 possibilidades de resposta, cada um com uma nota para que ao final se constate se há ou não Burnout e em qual grau.

O teste de Burnout desenvolvido por Cristina Maslach pode auxiliar no diagnóstico que deve ser realizado pela escuta do trabalhador, entrevista clínica e avaliação do ambiente e condições de trabalho a que o trabalhador foi submetido.

O Conselho Federal de Psicologia, através do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), aprovou um teste a ser aplicado no Brasil por psicólogos e psicólogas, que é a chamada de Escala Brasileira de Burnout (Ebbunr).

Como tratar a Síndrome de Burnout?

A Síndrome de Burnout é tratada com acompanhamento psicológico e médico contínuo, geralmente exige uma mudança de hábitos e, principalmente, o afastamento do trabalhador do ambiente que o adoeceu.

Isso porque, retornar para as suas funções ou o local que o adoeceu podem contribuir para altos níveis de estresse, piorando a condição.

O ideal é que, após um caso de Síndrome de Burnout, o colaborador continue recebendo auxílio psicológico e médico, aliado com o tratamento com medicamentos e mudanças de hábitos, como alimentação saudável e a prática de exercícios físicos.

É possível se recuperar da Síndrome de Burnout, mas isso exige muito do trabalhador, sendo praticamente impossível conseguir sozinho.

Por isso, se você se identificou com os sinais, sintomas e estágios que mostrei neste texto, procure ajuda médica, cuide da sua saúde.

Quando estiver melhor, procure ajuda jurídica, de uma especialista em síndrome de Burnout, para garantir que seus direitos trabalhistas e previdenciários sejam concedidos corretamente.

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Priscila Arraes Reino
Advogada previdenciária e trabalhista especialista em doenças ocupacionais e Síndrome de Burnout. Formada em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (2000). Sócia fundadora do Arraes & Centeno Advogados Associados. Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho e Pós-Graduada em Direito Previdenciário. Palestrante (OAB/MS 8596, OAB/SP 38.2499 e OAB/RJ 251.429).
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