Professor: não confie na simulação de aposentadoria do INSS

O simulador de aposentadoria do INSS parece ser uma ferramenta maravilhosa para ajudar o trabalhador que deseja se aposentar, não é mesmo? Pois é, eu não confiaria tanto no cálculo que ele te apresenta, principalmente se você for professor ou professora.

Hoje eu quero te contar o porquê você, caro professor ou professora, não deve deixar o seu futuro nas mãos dessa ferramenta: vou te mostrar tudo o que o simulador te conta, tudo o que ele te esconde e tudo o que ele não calcula na sua futura aposentadoria.

Sumário

O que é o simulador do INSS?

Vamos lá, antes de qualquer coisa precisamos entender o que é esse simulador e o que ele irá te contar.

O simulador é uma ferramenta que você encontra no site ou no aplicativo do Meu INSS e que irá te apresentar algumas informações sobre o seu benefício de aposentadoria, assim, teoricamente, ele irá te dizer se você já tem ou não o direito de se aposentar, segundo os dados que o INSS tem sobre a sua vida.

Para ter acesso a esta ferramenta, vou te deixar o passo a passo:

1 – Acesse o Meu INSS e faça o seu login:

1 - Acesse o Meu INSS e faça o seu login:
2 – Procure a opção: SIMULAR APOSENTADORIA
3 – Ao solicitar na simulação, o site irá te fornecer o seguinte documento:

Assim, a simulação do INSS irá te fornecer um documento que informará:

 

  • o seu tempo de contribuição segundo o seu CNIS;
  • o tempo de contribuição que você ainda deve ter;
  • a sua idade (confirme a sua data de nascimento) e a idade mínima para fazer o seu pedido de aposentadoria;
  • o seu tempo de carência (número mínimo de contribuições para atingir algum benefício) e quanto falta para você conseguir se aposentar;
  • a sua pontuação para algumas regras;
  • e os valores aproximados do seu benefício final.

 

Vale dizer que o simulador irá calcular a sua aposentadoria com base nas seguintes regras:

 

  • aposentadoria por idade;
  • aposentadoria por tempo de contribuição;
  • aposentadoria por idade pela regra de transição;
  • aposentadoria por tempo de contribuição pela regra de transição por pontos;
  • aposentadoria por tempo de contribuição pela regra de transição por idade;
  • aposentadoria por tempo de contribuição pela regra de transição – pedágio 50%;
  • e aposentadoria por tempo de contribuição pela regra de transição – pedágio 100%.

Percebeu que dentre as regras analisadas pelo simulador não existe nenhuma especial? Pois é, esse é o principal perigo para os professores, o simulador não calcula a regra específica da categoria.

Sabe qual o outro grande perigo do simulador? Ele não te garante nada, ou seja, o cálculo realizado vale apenas para aquele momento, pode ser que se você simular outro dia o valor seja diferente, para mais ou para menos:

O que o simulador não te conta

Agora que você sabe como funciona o simulador, quero te mostrar tudo o que ele não vai calcular:

 

  • ele não verifica se você tem direito a uma aposentadoria especial;
  • ele não verifica se você tem direito a uma aposentadoria de professor;
  • ele não verifica se você tem direito a uma aposentadoria de PCD;
  • ele desconsidera todas as contribuições que estejam com algum indicativo de pendência no seu CNIS (algum erro que precisa ser resolvido);
  • não considera os vínculos de regime próprio;
  • não soma o período com contribuição em duplicidade;
  • não sabe se você tem tempo como trabalhador rural em economia familiar;
  • não sabe se você já foi menor aprendiz;
  • não sabe se você já prestou serviço militar obrigatório ou voluntário;
  • não simula conversão de tempo especial em tempo comum;
  • não sabe se você teve vínculo reconhecido em processo trabalhista;
  • não te fala se você pode realizar alguma contribuição em atraso;
  • não considera as suas futuras contribuições.

Assim, se você é professor ou professora e tem direito à aposentadoria especial com tempo reduzido: o simulador do INSS não é para você.

Digo isso com a tranquilidade de uma especialista em direito previdenciário, o simulador não vai te fornecer a simulação da sua aposentadoria real, pois não irá descontar a sua redução de 5 anos no tempo de contribuição.

Ainda, se você é professor ou professora e tem tempo de contribuição no regime geral e no regime próprio: o simulador do INSS não é para você.

Isso porque o tempo de contribuição pago ao regime próprio não é contabilizado pelo simulador.

Regras para aposentadoria do professor que o simulador não calcula

Algumas categorias de professores, pela condição do seu trabalho, podem requerer a aposentadoria no INSS com redução na idade e no tempo de contribuição. 

Contudo, essas regras mais favoráveis para os educadores são válidas APENAS para aqueles professores que trabalham:

  • na rede infantil, fundamental e média de escolas públicas e privadas e
  • atuação na direção, coordenação, supervisão ou orientação pedagógica também dentro de escolas

Assim, não ganham o bônus de menos 5 anos de idade mínima os professores de ensino superior, técnico, profissionalizante e de cursos, eles seguem as regras comuns para o trabalhador urbano.

Quer conhecer todas as regras para esses professores? Vou te deixar um artigo que fizemos informando tudo sobre essa aposentadoria diferenciada:

A importância de um bom planejamento para os professores

O planejamento previdenciário é o documento que vai te informar qual o melhor momento para você requerer a sua aposentadoria no INSS (ou no seu RPPS). Nesse parecer previdenciário, a advogada especialista irá verificar todas as particularidades que você possa imaginar: 

  • o seu histórico de trabalho;
  • quais vínculos de emprego teve;
  • quantos recolhimentos foram feitos;
  • se você tem algum tempo “escondido”;
  • se pode ter mais de uma aposentadoria;
  • quais regras se aplicam melhor ao seu caso;
  • verificando, inclusive, a sua saúde, porque ela também pode ter influência sobre os seus direitos.

Para que você consiga entender melhor essas análises que são feitas antes do seu pedido de aposentadoria, vou detalhar algumas possibilidades:

Análise do CNIS

É sempre bom lembrar que o INSS não tem pessoal suficiente para conseguir conferir tudo de cada contribuinte, assim, o INSS só irá saber o que o seu CNIS contar para ele, mas infelizmente o CNIS pode estar repleto de erros.

Um dos benefícios do planejamento é exatamente esse: a especialista irá conferir se tudo foi devidamente anotado e calculado no seu CNIS, assim como irá verificar se o INSS colocou algum indicador no seu extrato e descobrir como regularizar a situação (esse indicador fala que alguma coisa não está certa e por isso essa contribuição não  vai ser contado até ser regularizada).

O CNIS é um dos principais documentos para o pedido de aposentadoria, dessa forma, ele precisa estar correto no momento do seu pedido.

Análise da saúde

Outro grande benefício do planejamento previdenciário para os professores é no quesito saúde. Parece estranho dizer que uma advogada irá confirmar esse aspecto também, não é? Pois não se estranhe, a advogada precisa analisar essa parte da sua vida para verificar se você pode ter direito ao auxílio-acidente.

Esse benefício é concedido pelo INSS ao segurado que sofreu uma lesão ou é acometido por uma doença ocupacional e, em decorrência disso, tenha adquirido uma sequela que gera prejuízos no desenvolvimento do seu trabalho. 

Os professores, especialmente, possuem uma jornada exaustiva que não fica restrita à sala de aula. Com o último ano vivido praticamente em isolamento social com a pandemia e o ensino remoto, a jornada se tornou ainda mais cansativa aos professores.

Inclusive, uma pesquisa realizada pela organização NOVA ESCOLA em junho de 2020 demonstrou em números o início dos impactos da pandemia na vida dos educadores, segundo o levantamento, 72% dos 9.557 professores entrevistados, tiveram a saúde mental afetada e precisaram buscar apoio.

Considerando que esta classe de trabalhadores é uma das que mais sofre com as doenças ocupacionais como a síndrome de burnout, depressão, transtorno de ansiedade e estresse, essa análise pode te garantir o recebimento desse benefício indenizatório antes da sua aposentadoria.

Quer conhecer mais sobre os direitos dos trabalhadores com Burnout? Vou te deixar um artigo que fizemos mostrando tudo sobre essa doença ocupacional:

Como contabilizar o tempo no RPPS

Outro grande benefício que o professor pode ter com o planejamento é descobrir como o seu tempo como professor servidor público pode ser contado para a sua aposentadoria pelo regime geral, considerando que o INSS precisa da sua CTC – Certidão de Tempo de Contribuição comprovando esse período.

Lembrando que apenas ter a CTC não irá garantir esse período, deverá ser feita a averbação desse documento no INSS.

Ainda, o planejamento poderá informar se o professor terá direito a mais de uma aposentadoria, considerando que ele pode ter o vínculo com o INSS e com o regime próprio do estado, do município ou da união.

Quer conhecer mais sobre os benefícios do planejamento para o professor, acesse o nosso artigo sobre esse tema:

Bônus Arraes e Centeno

Para você ver como o simulador pode prejudicar, e muito, o professor, vou te mostrar um exemplo da simulação feita pelo INSS e a realidade da aposentadoria de uma professora.

Pelo simulador do INSS, ela teria direito apenas ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição pelo pedágio de 50%:

E pela simulação do INSS, seu salário base inicial seria de:

Contudo, essa professora preferiu não confiar no simulador e procurar o auxílio jurídico. 

A primeira coisa que verificação foi de que ela teria direito ao pedido de aposentadoria para professora, assim, pela regra específica ela já teria direito de se aposentar e com R$ 2.000,00 a mais que o valor fornecido pelo simulador:

Então a minha dica de especialista de hoje é: se você for professor ou professora, não confie no simulador do INSS e procure uma equipe especialista em direito previdenciário para te orientar.

Planeje sua aposentadoria, professor

Não deixe para a última hora a sua aposentadoria, seu futuro é muito valioso e você pode organizar ele aqui.
Carolina Centeno

Carolina Centeno

Advogada Previdenciária e Trabalhista. Formada em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Inscrita na OAB/MS sob o nº17.183. Especialista em Direito Previdenciário e Direito Sindical. Palestrante. E-mail para contato
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