Burnout: o bancário é o fósforo queimado da vez

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Não é de hoje que falamos sobre o adoecimento dos trabalhadores bancários. Mas um fenômeno recente chamou a atenção e se faz necessário o alerta para demonstrar porque esses profissionais estão cada dia mais fragilizados.

Segundo o INSS, de 2009 a 2017 a quantidade de trabalhadores de bancos afastados por problemas mentais aumentou em 61,5%. Já o número total de afastamentos aumentou em 30%.

No ano de 2017 foram 17.310 de bancários afastados por doenças. Sendo que mais de 50% dos casos foram relacionados a transtornos mentais (Depressão, Burn-out) e doenças por esforço repetitivo (LER, DORT).

Saiba quais são as doenças que mais atingem os bancários.

O dado é alarmante tendo em vista que na população geral, o percentual de afastamentos por transtornos mentais e esforço repetitivo não alcança a metade dos auxílios concedidos pelo INSS, como ocorre com os bancários.

Isto é: sinaliza dizer que mais da metade dos afastamentos dos bancários são originados pela condição profissional.

Bancário, descubra aqui se é doença do trabalho.

Este levantamento reforça que a categoria está adoecendo cada vez mais. Os motivos são aqueles que costumamos sempre falar: a sobrecarga de trabalho, pressão por produtividade, metas abusivas, assédio moral. Tudo em nome da lucratividade.

Isto porque a lucratividade dos bancos aumenta exponencialmente.

O lucro dos maiores bancos do Brasil cresceu 28,5% no 3º trimestre de 2018, maior número desde 2006.

O curioso é que os postos de trabalho, agências físicas e investimento com pessoal só diminuem!

Em 2018, as instituições financeiras demitiram 32.321 trabalhadores e contrataram 29.392 novos (e mais baratos) bancários. Portanto, resultando na extinção de 2.929 postos de trabalho nos 12 meses do ano passado.

Além disso, em 2017 foram 1.500 agências fechadas.

Neste paralelo, é possível compreender o óbvio: a busca pela rentabilidade a qualquer custo, em detrimento da saúde e qualidade de vida dos trabalhadores.

Se houve a diminuição de postos de trabalho e o aumento do lucro, a conta fica fácil de ser resolvida. Mais ainda quando se constata que apesar dessa diminuição do número de empregos, os afastamentos por auxílio doença crescem.

Os trabalhadores bancários estão sendo cada vez mais pressionados e exigidos, tendo em vista todo o acúmulo de serviço que restou dos cortes de postos de trabalho e a busca incessante pela lucratividade dos Bancos.

Os bancos respondem por apenas 1% dos empregos no Brasil, mas foram os responsáveis por 5% do total de afastamentos por doença no país, entre 2012 e 2017.

aposentadoria bancário

Assim, o profissional bancário adoecido deve se conscientizar que as doenças que o incapacitam para o trabalho são em sua maioria, doenças ocupacionais.

Doenças e transtornos mentais como a Síndrome de Burn-out tem sido a grande algoz desses profissionais. Principalmente no contexto atual de precarização das relações de trabalho.

A síndrome de burnout, também conhecida por síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio psiquiátrico que se caracteriza principalmente pela tensão emocional e estresse provocados pelo trabalho.

É uma doença mais comum em trabalhadores que possuem ambiente altamente competitivo, com muitas responsabilidades e alta necessidade de relacionamentos interpessoais.

Acima de tudo, são casos em que a pessoa vive para o trabalho e acaba sendo consumida por ele devido ao medo de perder o emprego, às pressões do dia a dia e à instabilidade do mercado. Justamente o que está ocorrendo no setor bancário.

Os sintomas da burnout são parecidos com os sintomas da depressão, mas a burnout é necessariamente causada pelas condições de trabalho, veja quais são:

  • Sensação de esgotamento físico e emocional;
  • Autodepreciação, desvalorização pessoal;
  • Ausência ao trabalho;
  • Irritabilidade, mudança brusca de humor;
  • Falta de concentração, lapsos de memória;
  • Ansiedade, depressão, pessimismo;
  • Baixa autoestima;
  • Sudorese, palpitação e pressão alta.

O tratamento envolve antidepressivos e psicoterapia, além de ser recomendável  principalmente, o afastamento do trabalho e atividades físicas e de lazer.

Além disso, é recomendável estar atento pois o Banco e o INSS podem não reconhecer a doença como ocupacional. Assim, pode o profissional perder vários de seus direitos, como FGTS, estabilidade no emprego, auxílio acidente, dentre outros.

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